Biografia

Chico Xavier


Francisco Cândido Xavier, Chico Xavier, ou simplesmente Chico, foi uma das mais cativantes personalidades do século passado. Deixou-nos no limiar do século atual.

Chico, na extensa caminhada de sua existência, percorreu toda uma centúria, distribuindo amor e exemplos de caridade, renúncia, trabalho e dedicação plena ao semelhante. Seguiu, em toda a extensão do seu significado intrínseco, o mandato maior que Jesus nos legou.

Chico Xavier ao lado de Geraldo Lemos Neto
Chico Xavier com Geraldo Lemos Neto, em Uberaba, em 17 de julho de 1988
Galeria

Memórias em fotografias

Fotografia
Residência da família Joviano na Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura, em Pedro Leopoldo/MG, onde Chico Xavier trabalhou  por 27 anos. As duas janelas, à esquerda, faziam parte do então escritório de Rômulo Joviano, chefe de Chico Xavier, no qual, às quartas-feiras, à noite, realizava-se o culto doméstico do Evangelho, sempre com a presença do médium
Fotografia
Arthur Joviano (uma das reencarnações de Neio Lúcio) nasceu em Barra Mansa, Rio de Janeiro, em 1862. Em seu documento de identificação não consta o dia do nascimento. Pai de Rômulo Joviano, chefe de Chico Xavier na Fazenda Modelo
Fotografia
Da esquerda para a direita, de pé: Aurélio de Amorim, pai de Maria Amorim Joviano, Arthur Joviano, Rômulo Joviano e Francisca, esposa de Arthur Joviano. Sentados: Júlia Amália da Silva Pêgo, avó de Maria Joviano — ao seu lado —, Júlia Pêgo de Amorim, mãe de Maria, e o menino Roberto Amorim Joviano, nascido em 1924
Fotografia
Os irmãos Wanda e Roberto Amorim Joviano na porteira de entrada da Fazenda Modelo, em Pedro Leopoldo | MG
Fotografia
Maria e Rômulo Joviano em 27 de dezembro de 1948, quando fizeram Bodas de Prata
Fotografia
Da direita para a esquerda, sentados: Maria, Rômulo e Wanda Amorim Joviano. De pé: Chico Xavier. Fotografia feita nos jardins da Fazenda Modelo, em Pedro Leopoldo | MG. O cãozinho é o Fly, de estimação de toda a família. Da direita para a esquerda, sentados: Júlia, Aurélio e Maria. De pé: Rômulo, Chico Xavier e Wanda
Chico Xavier e Geraldo Lemos Neto
Chico Xavier com José Flaviano Machado (Zeca Machado), em Pedro Leopoldo, nos anos 1950
Fotografia
Chico Xavier com D. Maria Philomena Aluotto Berutto (D. Neném)
Chico Xavier, Zeca e Adélia Machado, Arnaldo Rocha e amigos
De pé: Zeca e Zilica Machado, D. Aristina e Waldo Vieira, Nair e Adélia Machado ao lado direito de Chico Xavier. Agachados: Lindolfo Ferreira e Arnaldo Rocha
Geraldo Lemos Neto e Chico Xavier
Chico Xavier na companhia de Geraldo Lemos Neto, que abraça Débora da Cunha Pacheco e D. Enoy, servidora do médium à época. Em primeiro plano, Mônica da Cunha Pacheco
As múltiplas faculdades mediúnicas de Chico Xavier
Chico Xavier com o jovem Geraldo Lemos Neto
Fotografia
Comemoração do aniversário de Vivaldo da Cunha Borges, ladeado por sua mãe, D. Lourdes, e Chico Xavier 
Fotografia
Chico Xavier com Geraldo Lemos Neto em sua residência, em Uberaba, em 4 de julho de 1988
Fotografia
Chico Xavier autografando o "Índice geral das mensagens psicografadas por Chico Xavier", de Vivaldo da Cunha Borges, lançado em 1988 pela União Espírita Mineira (UEM), hoje atualizado por Isaac Valério como o "Vozes do Espírito", lançado em 2026 pela Editora Vinha de Luz 
Nair Machado Paschoal e Chico Xavier em tarde de autógrafos
Nair Machado Paschoal e Chico Xavier em tarde de autógrafos nos anos 1980
Fotografia
Tela a óleo de Amarilis Chaves, pintada no Grupo Espírita da Prece em Uberaba/MG, enquanto Chico Xavier psicografava
O homem

Não é fácil falar de criaturas simples...

Não é fácil falar de criaturas simples, porque a simplicidade traduz em si mesma a grandeza d’alma, a humildade e, de modo muito particular, no caso específico de Chico Xavier, está ela interligada à vastíssima e milenar cultura.

Sua cultura foi, ao meu modo de ver – por tê-lo conhecido e com ele convivido por longo tempo –, o resultado de longa caminhada pelos milênios aqui na Terra. E, por que não dizer, de anteriores vivências em algum lugar do firmamento distante.

Não fora por suas virtudes, que muito resumidamente menciono acima, como explicaram-se as manifestações de carinho e afeição de parte da comunidade brasileira – de todas as religiões – a alguém que, desde criança, manifestou intensa ligação com os chamados fenômenos mediúnicos, com visões, vozes, escritos de evidente inspiração espiritual, faculdades sedimentadas aos 17 anos, de tal forma a ser unanimemente considerado maior médium de todos os tempos?

Duas terças partes do povo brasileiro reconheceram um exemplo de esperança e de amor na Terra, conforme pesquisa da revista Veja, no início de 1966.

Por que assembleias legislativas e câmaras municipais de todo o país lhe dedicaram mais de 100 cidadanias honorárias, senão pela sua laboriosa atuação no terreno do bem e do amor do próximo?

Ressalta-se que pelo seu trabalho na seara do bem, pela sua dedicação aos sofredores de todos os matizes, pelo significado de sua mensagem inspirada em 1981, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz por 10 milhões de brasileiros.

O seu estado natal, com as igrejas tradicionais incrustadas nas faldas das colinas dos burgos mineiros, divulgando, segundo os respeitáveis cânones do catolicismo, os ensinamentos de nosso mestre Jesus, honrou-o com o título de Mineiro do Século em votação promovida pela Rede Globo de Minas Gerais na virada do milênio, precisamente a 15 de novembro de 2000. Nesse interessante pleito, Chico Xavier superou a votação de expressivos mineiros com Santos Dumont, Carlos Drumond de Andrade e o popular Pelé, obtendo cerca de 705.000 votos, 2.500 a mais que Santos Dumont.

Chico Xavier, de formação católica, tornou-se o ponto de referência do Espiritismo, codificado em meados do século XIX na França por Kardec, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, e destacou sempre, com absoluta coerência e respeito pela religião de berço, a importância de todas as religiões que profligam, no bom combate, em essência, o materialismo, que não consola.

Vivaldo da Cunha Borges, Eliana, Chico Xavier e Geraldo Lemos Neto reunidos em 1988
Chico Xavier entre Geraldo Lemos Neto e Vivaldo da Cunha Borges
Infância e trabalho

Aos 5 anos, perdeu sua mãe, Maria de São João de Deus...

Aos 5 anos, perdeu sua mãe, Maria de São João de Deus, cujo falecimento deixou o pai, João Cândido Xavier, o humilde operário em Pedro Leopoldo, viúvo, com nove filhos, sendo Chico o caçula.

O genitor, em desespero, distribuiu, temporariamente, os filhos, e anos mais tarde ocorreria novo casamento com Cidália Batista, a segunda mãe de Chico, senhora boníssima, mas que logo deixaria por falecimento precoce, esposo, filhos e uma família enriquecida por mais seis crianças.

Enquanto ficou na casa da madrinha Rita de Cássia, o rigor dessa senhora, a quem Chico sempre endereçou palavras de agradecimento e respeito, cumulou-o de garfadas no abdome e o fez lamber feridas de outra criança, o Moacir, para curá-lo. Lambendo-as por três sextas-feiras, Chico efetivamente as curou, recordando-nos o milagre da Rainha Santa Isabel de Aragão, a Santa Isabel reverenciada pelos católicos, de modo especial na Península Ibérica e no Brasil.

Devo destacar que o temperamento da madrinha permitiu ao Chico reencontrar a mãezinha tão amada, Maria de São João de Deus, que em espírito aparecia-lhe no quintal da casa, à sombra das bananeiras, aconselhando-o a respeitar a mãe adotiva e a confiar em Deus, pois que, com o tempo, ele e os irmãos teriam uma segunda mãe amorosa e amiga.

Não pôde frequentar a escola como desejava, cursando apenas, e com dificuldade, os primeiros anos de letras, devido ao trabalho duro e implacável que renteava às altas horas da noite para ajudar no magérrimo orçamento familiar.

Trabalhou dos 8 aos 12 anos numa fábrica de tecidos enquanto frequentava o curso primário. Dos 12 anos aos 19, no comércio, e aos 21, em 1931, ingressou na Fazenda Modelo de Criação do Ministério da Agricultura em Pedro Leopoldo, pelas mãos de seu diretor, Dr. Rômulo Joviano.

Já, então, na condição de funcionário público federal, trabalhou até a sua aposentadoria, com singular exemplo de assiduidade.

A obra

Sua primeira mensagem psicografada ocorreu a 8 de julho de 1927...

Sua primeira mensagem psicografada ocorreu a 8 de julho de 1927, e a partir de 1931, com a supervisão espiritual explícita de Emmanuel, seu benfeitor espiritual, suas atividades mediúnicas, que se haviam iniciado de modo mais regular em 1927, ganharam notoriedade com o lançamento de Parnaso de além-túmulo, obra poética assinada por vates respeitáveis do Brasil e de Portugal, composta de poemas que bravamente resistiam à crítica literária, que, atônita, viu, pelas mãos de um mineiro simples, até então desconhecido, descer ao nosso mundo uma catadupa de luzes, sob a inspiração de conhecidos poetas patrícios e de além-mar.

Surgiu uma sucessão de livros, romances, crônicas, mensagens, poesias, cerca de 464 obras, cujo número aumenta paulatinamente com trabalhos póstumos que estão surgindo, quais escrínios guardados por amigos do saudoso Chico e que começam vir a lume.

Todos os livros tiveram seus direitos autorais doados por Francisco Cândido Xavier a editoras espíritas que, além de divulgá-los, sem o objetivo de lucro, deveriam obrigatoriamente, e o fazem, destinar recursos a tarefas de cunho filantrópico, investindo em orfanatos, asilos, creches e atividades outras de solidariedade a populações carentes de nosso país.

Foi como se o céu dos espíritas subitamente se povoasse de novas estrelas – as instituições beneficentes, que se multiplicavam enfatizando uma das características das atividades da doutrina: a preocupação com o semelhante, com suas dificuldades materiais e espirituais, com os padecimentos físicos e as dores da alma.

Milhares de milhares de famílias que perderam entes queridos receberam, por décadas, mensagens dos familiares que partiram e puderam encontrar o norte perdido pela dor ingente, que as lágrimas testemunhavam nas reuniões públicas de Pedro Leopoldo e Uberaba.

Quem observasse Chico Xavier lendo essas mensagens após recebê-las notaria comovido que as lágrimas inestancáveis rolavam dos olhos cansados e lhe embargavam a voz, nos últimos tempos já mais fraca e cansada.

Muitas dessas mensagens fazem parte de livros que compõem o vasto acervo produzido pelo médium, cuja produção editada atinge os 25 milhões de exemplares, dos quais Chico nunca recebeu um único centavo.

Nosso Lar, sua obra mais vendida, já supera a tiragem de 1 milhão e meio, e as edições de seus livros em inúmeros idiomas se multiplicam.

Chico Xavier caminhando pelos trilhos da estação ferroviária de Pedro Leopoldo
O "mineiro do século"  com Geraldo Lemos Neto, em 11 de setembro de 1988
Uberaba

A mudança em janeiro de 1959 para Uberaba não alterou o rumo de sua vida...

A mudança em janeiro de 1959 para Uberaba não alterou o rumo de sua vida de sacrifícios, não obstante a merecida aposentadoria como funcionário público federal ligado ao Ministério da Agricultura, que viria a ocorrer em 1961.

Continuou a dedicar-se integralmente ao semelhante e à vivência do Evangelho, mergulhando noite adentro no exercício das tarefas que abraçara e que nada neste mundo conseguia sobrestar.

Sempre dormiu pouquíssimo e, se necessário, atendia aos que o procuravam até o sol nascer. Isso ocorria nas reuniões públicas de Pedro Leopoldo e Uberaba, nas viagens pelo país, quando do recebimento dos títulos de cidadania, e nas tardes e noites de autógrafos, muitas das quais presenciei, vendo o Chico despedir-se de cada pessoa com uma rosa na mão e nos lábios o sorriso amigo, iluminado pelas clarezas da aurora na manhã do novo dia que se iniciava.

Havia uma particularidade no Chico que muitos dos que dele se acercaram puderam observar – o perfume que dele transcendia, com intensidade variável e aromas diferentes.

Não era perfume em hipótese alguma de origem terrena, elaborado com nossas flores ou com fragrância de alfazema, e sim decorrente da presença constante, junto dele, de espíritos iluminados, como Scheilla, que o envolviam na atmosfera perfumada a evidenciar sua estatura espiritual. Era o perfume de sua alma.

Nas preces, com a presença dele, se colocássemos garrafas de água para beber, o líquido incolor dos recipientes se perfumava e adquiria, por vezes, coloração branca, como a neve mais pura das geleiras árticas. O mesmo ocorria com lenços que se colocavam em suas mãos. Ele os devolvia com perfume tão intenso e em tanta quantidade que ficavam molhados, gotejando. Ainda guardo em casa um lenço perfumado nessas condições há 40 anos.

Em seus comparecimentos frequentes na televisão, soube cativar os lares que ouviam atentamente sua mensagem de paz e esperança. A apresentação que marcou sua longa convivência com a televisão brasileira deu-se em 1971, no célebre Pinga-Fogo da TV Tupi de São Paulo, após o que Chico Xavier ocupou espaço em horários nobres, sempre com destacada audiência nos principais programas da TV brasileira.

Lembro-me de que Chico, no Pinga-Fogo, então com 61 anos, submeteu-se a perguntas de telespectadores e de um seleto grupo de personalidades do mundo cultural e meio jornalístico da época. Os lares brasileiros, magnetizados, ouviram-lhe as ponderações a respeito de temas que estavam em evidência no início da década de 70.

Retrato de Chico Xavier de óculos escuros, em tom contemplativo
Chico Xavier  e Geraldo Lemos Neto cumprimentando Márcia Baccelli  e Zilda Batista, respectivamente
A partida

Deixou-nos aos 92 anos, no início da noite de 30 de junho de 2002...

Deixou-nos aos 92 anos, no início da noite de 30 de junho de 2002, do mesmo modo que sempre viveu, sem dar trabalho a ninguém, sem demonstrar sofrimento ou qualquer ansiedade. 

Partiu para os céus, para sua pátria espiritual, sorrindo como a nos dizer: “Amados amigos, eu os amo muito. Obrigado por tudo de bom que de vocês recebi. Se me permitirem, peço-lhes: amem-se uns aos outros como o Senhor nos  amou”. 

Chico viveu e morreu como um justo, uma alma amiga, uma criatura despojada de valores outros, que não sua simplicidade ou respeito a Deus. Sofreu com sofrimento, sem, contudo, esconder-nos o seu sorriso generoso, amigo de quem sempre estava de bem com a vida.

Caio Remacciotti
São Bernardo do Campo, 30 de junho de 2008.
Chico Xavier sorridente, usando boina, em fotografia de 2002

Bibliografia

Obras mais importantes de Chico Xavier

Para saber mais sobre a obra monumental do maior médium de todos os tempos depois de Jesus, acesse a aba RELAÇÃO DE OBRAS DE CHICO XAVIER.

  • Parnaso de além-túmulo (Espíritos diversos, 1932)
  • Cartas de uma morta (Maria de São João de Deus, 1935)
  • Antologia dos imortais (Espíritos diversos, 1963)
  • Poetas redivivos (Espíritos diversos, 1969)
Estátua de bronze de Chico Xavier sentado em um banco, na cidade de Pedro Leopoldo
Chico Xavier em sua residência, em Uberaba. no Triângulo Mineiro

A Chico Xavier,

nosso preito de eterno amor e gratidão.



Editora vinha de luz